Na serigrafia as imagens a serem impressas são gravadas
numa tela tecida com fios de poliéster, esticada e presa
a um quadro de madeira. Na tela é gravada a imagem ou imagens
a serem impressas. O conjunto composto pelo quadro (também
chamado de "bastidor") mais o tecido com a gravação
da imagem é chamado de "matriz".
São vários os processos usados na gravação
da matriz mas todos eles buscam um só objetivo: deixar
livres para passagem de tinta os espaços correspondentes
à figura que deverá ser impressa e vedar (para impedir
a passagem de tinta) a área restante.
Com o auxílio de uma peça de madeira e borracha
denominada "puxador"ou "rodo", o impressor
empurra a tinta de uma para a outra extremidade da matriz, pressionando
a tinta e fazendo-a passar através do tecido pelas partes
não vedadas. Coordenando seus movimentos, o impressor repete
a operação quantas vezes forem necessárias,
até completar a tiragem.
Diversos tipos de madeira prestam-se para a fabricação
do quadro ou moldura mas os mais comuns são o pinho e o
cedro. É essencial que a madeira seja resistente à
umidade pois no processo serigráfico, a matriz, por diversas
vezes entra em contato com água. Para minimizar esse problema,
o quadro pode ser impermeabilizado com um verniz apropriado ou
com uma laca de cor azul vendida no comércio especializado
especificamente para essa finalidade.
O tamanho do quadro deve variar de acordo com o formato da figura
a ser impressa, reservando-se sempre pelo menos dez centímetros
de área livre nos quatro lados da figura. Por exemplo:
se você vai imprimir uma figura de 20X20 cm, a área
interna da moldura deverá ser de 30X40cm. Embora as casas
especializadas em materiais para serigrafia tenham à venda
essas molduras numa enorme variedade de tamanhos, qualquer carpinteiro
pode fazê-las sob encomenda.
Um dos lados da madeira deve ser isento de quinas ou cantos vivos
para minimizar o risco de ruptura do tecido. Sobre este lado o
tecido deve ser esticado e também grapeado na madeira,
colocando-se entre o tecido e os grampos um cadarço ou
fita de algodão. Utiliza-se nesta operação
um grampeador do tipo pistola ou na falta deste taxas e martelo.
Para que o tecido não fique frouxo há um sistema
que deve ser seguido rigorosamente pois é o único
conhecido que apresenta bons resultados. Em algumas regiões
utiliza-se um quadro de madeira no qual, em um dos lados, foi
cavada uma canaleta em toda a sua extensão. Neste quadro
o tecido não é grampeado e sim fixado com a ajuda
de uma cordinha introduzida nas canaletas por cima do tecido.
O tecido de poliéster é vendido a metro nas lojas
especializadas. Existem tecidos nacionais e estrangeiros, classificados
de acordo com a abertura da trama ou seja, a quantidade de fios
utilizada na teia por centímetro quadrado. Quanto mais
fios contiver o tecido, mais fechada será a trama e vice-versa.
A escolha do tipo de tecido depende do tipo de serviço
a ser executado.Um impresso de alta qualidade com traços
muito finos deve ser feito com um tecido importado de 120,150
ou 180 fios. Já um simples letreiro pode ser impresso com
poliéster nacional de 77 fios.
Antes de ser aplicado à moldura, o tecido deve ser desengordurado
(lavado) com água e sabão ou detergente neutro.
Como se trata de um material plástico, a secagem é
rápida.
Feita a montagem do tecido na moldura, para se completar a matriz,
fica faltando apenas a gravação do motivo a ser
impresso. A confecção da matriz, desde a feitura
do quadro até a gravação, só é
recomendável para quem dispõe de local e apetrechos
apropriados ou para quem reside em cidades distantes onde não
existam lojas especializadas ou laboratórios dedicados
a este serviço. Para os demais torna-se mais econômico
e mais prático encomendar a a matriz pronta, ja com a gravação.
Quase todas as firmas especializadas em materiais para serigrafia
prestam esse serviço, bastando indicar o tamanho desejado,
o tipo de tecido, a tinta a ser usada e fornecer o diapositivo
ou fotolito para a gravação.
A colocação do tecido de nylon ou poliéster
no quadro é feita, na maioria das vezes, manualmente. Essa
prática dá bons resultados permitindo ao serígrafo
produzir uma enorme variedade de impressos de boa qualidade. Entretanto,
logo que o serígrafo adquira maior domínio do processo
e que reúna condições financeiras para tanto,
aconselhamos a compra e utilização de um esticador
mecânico ou pneumático e de um tensiômetro,
os quais permitirão que o tecido seja colocado no quadro
com um grau de tensão igual em toda a superfície
da matriz.
A tensão por igual em toda a superfície da matriz
é muito importante especialmente nas impressões
a mais de uma cor e principalmente nos trabalhos em quadricromia.
As boas oficinas especializadas em foto-incisão (gravação
de matrizes) são equipadas com esses aparelhos. Além
de igualar a tensão do tecido, os esticadores facilitam
o trabalho, economizando tempo para o serígrafo. O tensiômetro
é um pequeno aparelho que ao ser colocado em cima do tecido
esticado, mede e indica o grau de tensão, informando ao
serígrafo em quais pontos o tecido deve ser mais ou menos
esticado.
Além dos quadros de madeira, existem ainda os quadros
de ferro e alumínio, que apresentam como vantagem a alta
resistência e excepcional durabilidade. Esses quadros podem
ser montados não só com tecidos de nylon e poliéster
como também com telas metálicas. Como não
podem ser grampeados, usa-se, para fixar o tecido nesses quadros,
um adesivo especial. Os quadros de alumínio e ferro geralmente
são usados em trabalhos de alta precisão.
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